A Nova Proposta Para a Humanidade, Onde Falha?
No Livro Deus e a Fé, escrito por J. J. Gonzalez Faus, um Crente Católico, e Ignacio Sotelo, um ateu, que dialogam entre si sobre a fé Cristã e o homem, Ignacio Sotelo propõe uma via que pode ser apetecível, ao ser humano, e principalmente ao ser humano que declara que não precisa de Deus. Basicamente o Ignacio Sotelo diz, é que já que Deus criou o ser humano com a capacidade de ser livre, conforme diz o Crente, e que essa Liberdade empurrou o homem a querer ser Deus, matando ao mesmo tempo a ideia de Deus; a Liberdade suprema do homem, consiste em querer ser Deus, e já que o Deus dos Cristãos não existe, escolher o seu próprio caminho, sem necessidade de perdão ou redenção de Deus. Segundo Ignacio Sotelo, a consequência deste ato de Liberdade, pode ser o salto no vazio, ou a barbárie. Eu compreendo que esta proposta possa ser aliciante para os ateus, mas assumi-la traz riscos que não podemos ignorar, e uma objeção, e essa objeção é que somos finitos. O risco que existe nesta proposta, é que em vez de um mundo mais humano e tolerante, criemos um mundo onde reina a barbárie, e todas as coisas mais ignóbeis, são possíveis...e não será que presentemente, não estejamos a colher os frutos desta escolha? É que a multiplicação do egoísmo e do mal, sob todas as formas, presente nas propostas totalitárias que se nos apresentam, não será uma consequência dessa escolha? Não interessa se o novo totalitarismo vem em nome de Deus, muitas vezes...na pratica está a pôr a ideia de um Deus bom de lado, e assumir a barbárie próxima do ser humano, sem esse Deus bom. E depois como eu disse, há a objeção da finitude humana, esse homem feito Deus de si mesmo, está destinado a morrer, não subsistindo nada. Ora essa morte, é a prova do falhanço desse homem Deus de si mesmo; e perante isto, brilha a possibilidade da existência de Deus, do Deus justo, bom e misericordioso, que redime o homem, e transforma a sua finitude, em infinitude espiritual. Perante esse Deus, bom e misericordioso, para além de justo, caem os totalitarismos, mesmo que estejam pretensamente em nome de Deus, ou da sua ausência...e a vida do homem ganha dignidade, e essa dignidade é conquistada pondo o seu ego de lado, face a esse Deus. Com Deus o homem torna-se verdadeiramente Livre, desistindo da sua Liberdade finita. Foi isto que a proposta de Ignacio Sotelo me suscitou. O Livro é sumamente interessante, e honesto, nas duas visões que apresenta.
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