Como eu Cheguei a Cristo
Penso que todos sabem que eu sou Cristão, além de ser Socialista, mas é sobre Cristo que quero falar agora. Cristo nunca foi um desconhecido para mim, eu conheço-o desde menino, mas na minha adolescência, eu estava muito distante dele, obedecendo à fé, de um modo mecânico e por causa da família. Recordo como vieram os meus primeiros conflitos com a fé, que colidia com a minha vontade de conhecer e experimentar a vida fora da igreja...assim com 16 ou 17 anos, saí da casa de meu tio pastor, para experimentar o mundo lá fora, e é escusado dizer que abandonei Cristo. Veio a vida louca, as drogas, as festas, os concertos, e tudo em excesso. Mas o meu pior período veio depois, como não tinha sucesso com as miúdas, resolvi frequentar o Bairro Alto, e abandonar a referência do meu bairro. Passei a identificar-me com a cultura do punk, acrescentei ao álcool e às ganzas, os barbitúricos e também ocasionalmente a heroína...o descalabro foi o total, as miúdas vieram, mas também veio o vazio existencial, e a depressão que nunca mais me abandonou. Vivia como um vampiro, dormia de dia, e à noite saia para o Bairro Alto, até que tão subitamente como entrara, abandonei o Bairro Alto e passei a viver outra vez na esfera do meu bairro, muitas vezes sozinho e deprimido. Depois fui para o Algarve, e lá continuei o mesmo sistema, e a mesma vida vazia, com drogas à mistura...até que veio a psicose, o internamento. Recordo que nessa altura, por causa do teatro, tive um renascimento, mas o álcool continuava, e o vazio existencial...foi então que aos 45 anos, me converti a Cristo, o motivo disso não foi por que a minha mãe era Cristã, mas porque o vazio existencial, tornara-se insustentável, e Cristo oferecia-me uma razão de viver; e não me enganei, de facto a espiritualidade Cristã trouxe-me a paz de espírito e o equilíbrio que me faltava, não de repente, mas progressivamente. Confesso que nos primeiros tempos, era um pouco irritante com os meus amigos, procurava convertê-los a toda a hora, era fundamentalista, mas também com o tempo, aprendi a moderar-me, amadureci na fé, e passei a ter uma abordagem mais equilibrada. Assim continuo até hoje, e esta é a minha história.
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