A igreja e a Fé dos Cristãos, Duas Coisas Diferentes?

 À medida que reflito no comportamento da Igreja, no aspeto ético e costumes, e quando digo Igreja, refiro-me a todas as igrejas, Católicas, Protestantes e Ortodoxas, referindo-as como uma única identidade; dou razão a muitos ateus, que se recusam a crer em Deus, porque as instituições religiosas muitas vezes deixam muito a desejar. Não estou a falar da minha experiência presente como Crente, membro de uma igreja, na realidade não tenho nada a dizer dos irmãos, nem do pastor, que considero exemplares; mas ela tem dentro membros permeáveis a uma certa promiscuidade com líderes políticos de extrema-direita, especialmente neste tempo em que se vai disputar a Segunda Volta das eleições no Brasil, e se deixassem esses Crentes tomar domínio da igreja, esta transformava-se completamente, e no sentido negativo. Quando falo de Igreja aqui, refiro-me àquelas igrejas, totalmente tomadas pelo bolsonarismo, e pelo trumpismo, isto no que diz respeito às Congregações Evangélicas; quanto à Igreja Católica e Igreja Ortodoxa, no passado tornaram-se em igrejas altamente comprometidas com o poder, impessoais, e onde a fé individual não contava muito, desde que os Crentes cumprissem os ritos. Dostoiévski tem descrições admiráveis dessa igreja, e na sua relação com o poder, embora o escritor fosse Crente e tenha morrido com o Novo Testamento nas suas mãos, deitado na sua cama; ainda hoje a Igreja Ortodoxa na Rússia, e não só na Rússia, mas também na Ucrânia, é altamente permeável ao poder e manipulada por este. Falando ainda na Igreja Católica, há Católicos e Católicos...muitos têm uma verdadeira fé em Cristo e vivem o Cristianismo individualmente e coletivamente, mas muitos mais têm uma fé impessoal e ritualista, onde a vida está divorciada do evangelho. É a esta dicotomia entre fé individual e fé coletiva, a que me refiro quando falo da igreja evangélica trumpista e bolsonarista, e da Igreja Católica e Ortodoxa. Não estou dizendo que é impossível ter uma fé individual e ao mesmo tempo comunhão com os irmãos, mas que em certas igrejas se estabelece esta dicotomia; e para ser honesto, prefiro um ateu integro a um religioso ritualista e hipócrita, que não vive a sua fé...o ateu integro ainda pode chegar a Deus, quanto ao religioso hipócrita, auto engana-se a si mesmo, e corre o sério risco de acabar no inferno, se não se arrepender.

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