A Fé Pessoal de Um Crente e a Fé Coletiva
No livro que estou a ler, intitulado Deus e a Fé, que é um diálogo por cartas entre um crente e um não crente, há algumas passagens que vale a pena analisar. Numa delas, o Crente afirma que o Deus em que ele acredita é o Deus revelado em Jesus, e que este Deus é o Deus dos pobres, das prostitutas e dos cobradores de impostos, e que este Deus ressuscitou, porque se ele não ressuscitasse, não haveria esperança para os que sofrem de injustiça. Perante estas afirmações, o não crente vai respondendo por camadas e assuntos, e a primeira camada e o primeiro assunto, é que o Deus desse crente é um Deus pessoal, o "teu Deus" como diz o não crente, e vai afirmando que se sente deslumbrado com esse Deus pessoal, mas de modo nenhum acredita no Deus da Santa e Madre Igreja Católica. A seguir vai expondo argumentos, e o argumento principal é que o Deus da Santa e Madre Igreja Católica, é um Deus impessoal e coletivo, que é cruel, mau e julgador. Sobre o Deus que ressuscita, vai dizendo logo que não acredita absolutamente, e propõe uma das teorias alternativas, que é a que Jesus não morreu mas foi retirado vivo na Cruz. Sobre o Jesus que os apóstolos viram, ele não põem em duvida esse facto, mas que não era o Jesus como os evangelhos apresentam, mas como um Jesus segundo as suas crenças e subjetivo, e que foi isso que permitiu que eles partissem por todo o lado, afirmando que ressuscitou. A seguir que não há recompensa para o justo, nem castigo para o ímpio, e que os mortos não ressuscitam. Devo dizer que estas teses são desafiadoras para mim, mas consigo sentir empatia por Ignacio Sotelo, o não crente, ao dizer que não acredita no Deus coletivo da Igreja...de facto a Igreja, e neste caso a Igreja Católica espanhola e Franquista, apresentava um Deus frio, dogmático, impessoal e julgador, que não permitia perguntas nem diálogos francos acerca da fé, e que daí para se duvidar da ressurreição de jesus e da justiça divina, era um passo. Eu sou Crente, o meu Deus é o Deus pobres, das prostitutas e dos Cobradores de impostos, dos pecadores em suma, e também acredito na ressurreição de Jesus, e na justiça divina que não falha. O meu Deus é um Deus pessoal, mas só pode ser vivido plenamente, de modo coletivo, em irmandade e em amor, o que não é exatamente a mesma coisa do Deus frio, impessoal e julgador. É isto que tenho a dizer sobre o assunto, já agora para quem quiser ler o livro, que recomendo; chama-se Deus e a Fé, e é escrito por J. J. Gonzalez Faus e Ignacio Sotelo.
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