Os Anos 80
Os anos 80 foram para mim, simultaneamente uma libertação, e uma prisão a algo mais profundo e alienante. Foi nos anos 80, que eu assumi, de repente, a minha identidade punk, ou tirada do punk; em que eu me realizei sexualmente, de modo desregrado, com as punks do Bairro Alto, e por vezes as putas. Foi o ano de assumir todos os vícios, desde a bebida às drogas, incluindo por vezes as mais pesadas. Nessa altura, apaguei todo o Cristianismo herdado da família, e iniciei a minha viagem ao mundo interior da depressão. Eu podia ter escolhido um caminho menos árduo e radical, mas para mim era tudo ou nada, tinha vinte e poucos anos, e haveria de me manter assim até aos 45. Quanto à depressão, nasceu de um cansaço da mesma vida que se arrastava, de prazeres que já não eram assim tanto prazer, também de uma escolha consciente de filosofias de vida extremas, como o niilismo de Nietzsche...tudo somado deu um cocktail que podia ter sido fatal, Lembro-me também de numa determinada fase, me ter interessado pelo Budismo, e podia muito bem ter seguido essa via, foi muito mais que algo passageiro, e eu estava pronto a trilhá-lo; mas aos 45 anos, já em 2009, redescobri o Cristianismo, como boia de salvação, e não me arrependi disso. Primeiro tomei-o como algo fundamentalista, segundo o pendor da família, mas depois descobri que o podia assumir, de um modo mais livre, menos fundamentalista, e ligado aos outros e à vida. Atualmente é esse o modo de Cristianismo que sigo, e não me arrependo de o ter feito, primeiro de um modo atabalhoado, depois de um modo mais seguro...
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